O Moto Clube é uma associação com regras e compromissos. Para se estabelecer oficialmente é preciso um estatuto registrado em cartório, mas para os motociclistas, a cobrança da conduta do membro é feita independente do papel

Para se formar um Moto Clube (MC) é preciso que um número mínimo de motociclistas se juntem para formar uma Associação. Sem fins lucrativos ou não; Com objetivo comercial, exclusivamente social ou apenas por lazer… Independente da finalidade, o MC é mais que um grupo.

Com estatuto registrado em cartório, o MC necessariamente precisa ter quem assine por ele. É preciso ter no mínimo seis integrantes para ser considerado uma entidade social. Assim sendo, deve ter o registro da Ata de Criação e a Diretoria que a compõe. Um corpo hierárquico montado de acordo com o perfil do Moto Clube. Se terá presidente, vice, diretores ou um grupo de conselheiros que o represente, ficará a critério do perfil do MC. Mas o fato é que para ser MC é preciso formalizar a ideologia daquela irmandade, com seus direitos e deveres.

“A maioria dos Moto clubes faz ações sociais. Pensando dessa forma se as pessoas ajudassem mais o próximo acho que não haveria tanta desigualdade social. Por isso penso que o pouco que fazemos é importante para a sociedade, pois somos muitos” comentou Eduardo Lima, presidente do MC Irmãos do Vento, sobre a função social dos Moto Clubes.

Um Moto Grupo (MG) costuma ser, como o próprio nome diz, um grupo de motociclistas que se juntam por lazer! Sendo assim, sem questões burocráticas ou compromissos mais profundos. Há quem diga que antes de se oficializar um MC, passar por um MG é como um “estágio”. Para o presidente do moto clube Irmãos do Vento, não há necessidade de passar por um MG, mas “é fundamental conhecer o que é um Moto Clube e seus valores, antes de tomar a decisão de fundar um.”

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Curiosidades

  • MC é a sigla usada tanto no Brasil quanto no exterior que costuma ir acompanhada nos coletes usados pelos membros dos moto clubes. No Brasil é a abreviação de “Moto Clube” e no exterior de Motorcycle Club”. A sigla só pode ser usada por associações legitimas e oficiais.
  • Há quem diga que em alguns países quando um território já tem um MC outro não pode ser criado. Nesses casos a opção para motociclistas é criar um MG.
  • No exterior, facção é o nome dado ao MC que tem um grande número de integrantes incluindo representantes em outros países.
  • Todo Moto Clube é formado por integrantes, sócios, amigos e companheiros. Não a toa é considerado uma irmandade. Após um tempo, todos se consideram irmãos, ainda que de moto clubes diferentes. O respeito entre um MC e outro é que estabelece esse conceito de irmandade no motociclismo.
  • Para se tornar membro de um MC o “prospero participante”, chamado carinhosamente pelos mais antigos de “PP” passa por uma fase de aprovação. Só poderá usar as cores e o brasão do Moto Clube após um período de avaliação, que pode passar de um ano em alguns MC. A conduta do PP será avaliada pelos mais antigos e dirigentes do MC para, resumindo, identificar se o aspirante a membro é digno de vestir o Brasão do MC.
  • Os dois maiores moto clubes do Brasil são Bodes do Asfalto e Os Abutres, respectivamente.
  • O Moto clube mais antigo do mundo é o Motor Maids formado por mulheres e o Moto Club do Brasil.
  • O maior do mundo é o Hells Angels MC.
  • Para quem já tem o colete do MC com Brasão, ir a eventos sem o mesmo é um desrespeito.
  • O que rege a instituição de um moto clube é o código civil. Ou seja, seu estatuto, normas e regas, devem seguir esta legislação, caso contrário se torna inconstitucional; Haja visto o fato do código civil respeita a constituição.

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História do Moto Clube

Fundado no final da década de 20 o Moto Club do Brasil foi a primeira associação de motociclistas no país.

Há relatos de que, no exterior, acontecimentos pontuais foram expostos pela imprensa e distorceu a imagem do motociclista atribuindo o perfil de desordeiros, arruaceiros, e outros. Por isso no início da década de 30 começaram a surgir moto clubes com regras mais rígidas.

Tempos depois a indústria cinematográfica de Hollywood serviu de gatilho para que desordeiros de verdade criassem moto clubes e gangues. Um desastre que acabou por manchar ainda mais a imagem dos motociclistas na década de 50. A mudança e a quebra de paradigma tem sido lenta e ainda confundem motociclistas com motoqueiros, mas a década de 60 contribuiu para que começassem a entender a diferença.

Com a volta da motocicleta para as telonas nos filmes hollywoodianos, a fase romântica associada ao motociclista surgiu e, na década de 70, a identificação colocando os motociclistas como símbolos de resistência ao Sistema e liberdade finalmente aproximou a essência do que é ser motociclista.

Enquanto tudo isso acontecia na América do Norte, no Brasil novos moto clubes surgiam. Em São Paulo, por exemplo, surgiu o Zapata MC e, no Rio, o Balaios MC. Ambos já com esse padrão internacional, começando a estabelecer essa identificação de irmandade.

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Pré-Conceito

Para Eduardo Lima o “pré-conceito” se deu diante da formação de moto clubes que, “no início, nos EUA formavam gangues e trabalhavam com negócios ilegais”. Com as guerras entre essas gangues por ocupação de territórios, inclusive com dezenas de morte, ainda de acordo com Eduardo, criou-se esse estereótipo.

No Brasil, o presidente do MC Irmãos do Vento contou que “o surgimento dos Moto Clubes foi mais pacífico.” Lima disse ainda que “ainda que existam algumas rivalidades, acredito que a boa prática do respeito entre os irmãos de colete prevalece!”

De modo geral a sociedade tende à rotular as pessoas sem antes conhecê-las. Lima comentou que “em alguns lugares no Brasil ainda ocorre sim o preconceito”, mas acredita que isso esteja diminuindo gradativamente. “Com o passar do tempo, a filosofia dos MCs agregando valores, unindo famílias, fazendo ações filantrópicas enquanto nos divertimos em nossas motocas pelo mundo à fora, se encarregará de mostrar a representatividade positiva desta irmandade.”

O Brasão

É o símbolo do moto clube. Um escudo representando a identidade visual e a filosofia do MC. É ele que diferencia um membro de um moto clube de outros motociclistas. Geralmente o brasão é acompanhando do nome do moto clube.

Para usar um colete com o brasão do MC é preciso ser membro e, para isso acontecer é preciso merecer; E, neste caso, quem condiciona o “merecimento” são as regras de cada MC. Em linhas gerais o motociclista deve comprovar que é uma pessoa responsável e respeitável. Na vida e sobre rodas! Além da responsabilidade é necessário comprovar a essência de irmandade.

Para isso é preciso tempo. Portanto não é do dia pra noite que se pode vestir um colete com o brasão de um MC sério. O tempo para conseguir ter o direito de usar o brasão vai de meses a anos, dependendo da regra do MC.

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Moto Clubes SP

Em 2004 o Moto Clube Irmãos do Vento foi fundado entre amigos apaixonados por motocicletas, à princípio para haver uma identidade através dos coletes, cujo brasão é a Águia; assim são identificados em todo lugar, dando exemplo de sua união. “Com o passar do tempo ficamos ainda mais fortes, na amizade, no respeito, nas regras e principalmente no amor ao MC. Comemoramos nosso aniversário todos os anos sempre com foco na filantropia. Nesses 15 anos tivemos a oportunidade de ajudar varias instituições em Vinhedo, Valinhos e Campinas”, comentou Lima.

No Estado de São Paulo são mais de 50 irmandades.

  • Bodes do Asfalto
  • Irmãos do Vento
  • Vinil Moto Clube
  • Plebe Moto Clube
  • Búfalo Moto Clube
  • Malta Moto Grupo
  • Kombat Moto Clube
  • Maximus Moto Clube
  • Águias Ts Moto Clube
  • Scap Kent Moto Clube
  • Gladius Fly Moto Clube
  • Crash Head Moto Clube
  • Libertáguias Moto Clube
  • Exagerados Moto Clube
  • Tarjas Preta Moto Clube
  • Perturbados Moto Clube
  • Boinas Pretas Moto Clube
  • Acorrentados Moto Clube
  • Mamba Negra Moto Clube
  • Point Bárbaros Moto Clube
  • Moto Clube Capitães D´areia
  • Coisas da Estrada Moto Clube
  • Selvagens do Asfalto Moto Clube
  • Falcões Moto Clube Raça Liberta
  • Velha Caveira Original Moto Clube

Juridicamente o MC é denominado Associação dos Motociclistas Irmãos do Vendo de Vinhedo. Para Eduardo Lima a representatividade dos Moto clubes da região está de parabéns e não cabe ressaltar apenas um. “Todos representam da melhor maneira possível e espero que nosso movimento cresça sempre com respeito entre as famílias de coletes”, finalizou.

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